fecho os
olhos
e
transporto-me
para um
Inverno de Sol
seco e frio
a memória
atraiçoa-me
tento então
a chuva de verão
e… sinto o
cheiro da terra
vejo
crianças a chapinhar nas poças
as praias de
Moçâmedes
os
relâmpagos que cortavam a Chela
anunciando o
ribombar do trovão
e por
instantes
regresso à
paisagem angolana.
Maria do Rosário de
Freitas
10 de Fevereiro de 2013
África
que meu coração acalentas
e meus sonhos povoas
com montanhas
e estepes ondulantes
mãe África
das batucadas
ao cair da noite
plena de ritmo, melodia,
drama, cor e alegria
terra amada que me viste nascer
como queria eu em ti viver
Maria do Rosário de
Freitas
9 de Abril de 2013
Que importa
a herança
europeia?
que importa
o sangue que me corre nas veias?
foi lá que
nasci e cresci
naquela
Angola imensa
de
contrastes encantadores
e paisagens
esfusiantes
onde o dia
nasce a sorrir
e a noite
desce cantando
ao ritmo da
melodia sensual dos batuques
terra de
montanhas e planaltos
de deserto e
de mar
onde sonho e
realidade se misturavam
terra de
paixão e ternura
onde conheci
a fraternidade.
Maria do Rosário de Freitas
9 de Abril de 2013
MEMÓRIA SENSITIVA
Fui guiada à minha infância, o cheiro do café matinal com que
despertava na casa da minha Avó, aquele aroma único que inundava todos os
compartimentos e oferecia ao paladar o sabor agridoce de que tanto gosto.
Após o pequeno-almoço de café com leite, corria para o
quintal onde me esperava a árvore frondosa em que os ramos pareciam ter sido dispostos
propositadamente de forma a permitirem as brincadeiras que a fértil imaginação
infantil me proporcionava. Ora saltava de liana em liana qual Tarzan, na
companhia do meu irmão Zé; ora princesa encarcerada na torre de cristal
aguardando a chegada de um belo príncipe em seu cavalo branco; ou, simplesmente
baloiçava de olhos fechados, voando livre como um pássaro.
Quando a amiguinha chegava, a imaginação mudava de rumo. Era
a vez das bonecas serem vestidas e despidas, banhadas e tratadas, consoante a
situação criada. Cantávamos para as adormecer e aprendíamos a assobiar pois,
não aceitávamos a ideia de que só os rapazes o podiam fazer. Ainda escuto o som
do sopro que saía dos nossos lábios antes de conseguirmos o apito estridente a
que chamávamos assobio.
Quando regressava a casa, recordo com carinho o colo do meu
Avô, o toque das minhas mãos no seu cabelo macio e branco como a neve.
(Este texto surgiu como resposta a um desafio de Escrita
Criativa, que propunha a descrição dos cinco sentidos em texto único)
Maria do Rosário de
Freitas
1 de Abril de 2013
Lubango revisitado
Emoção
coração
apertado
olhos
marejados de água
saudade
gostosa e dorida
numa viagem
à terra amada que me viu crescer
permitida
pela objectiva da Liliana Carneiro
memórias
escondidas
locais
esquecidos
Tundavala,
Leba, Cristo Rei, Senhora do Monte
Liceu, Lage
e Picadeiro
o Lodge da
Mapunda
O cansaço
tomou conta de mim
como se
física tivesse sido a viagem proporcionada.
Rosário Freitas
11 de Agosto de 2013
Na Natureza
Tudo o mais
flui por si
Numa fusão
com o todo natural
As palavras
escasseiam
A pele sente
A harmonia
acontece…
Maria do
Rosário de Freitas
11 de Agosto
de 2013



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